
Edmundo é suspenso
e
reage: Sou um escravo
02/08/00
A Diretoria do Vasco suspendeu ontem, por 10 dias, o atacante Edmundo em razão da sua recusa em participar do jogo contra o Palmeiras, sábado, pelo Torneio rio-São Paulo. Sem ambiente desde a chegada de Romário, Edmundo dificilmente continuará no clube. O presidente do Vasco, Antônio Soares Calçada, informou que vende o passe do jogador a qualquer clube que pagar US$ 15 milhões ou US$ 7,5 milhões pelo empréstimo. Sua situação, no entanto, só será resolvida quando retornar de Miami o vice-presidente de Futebol Eurico Miranda, que é quem realmente manda no clube.
Em entrevista por telefone, Edmundo disse ontem que não há nenhum acerto para uma possível transferência de time. Só volto a jogar pelo Vasco se eu for o capitão do time, garantiu. O jogador reafirmou que se sentiu desprestigiado quando a braçadeira foi passada a Romário, sábado, ainda no vestiário do Palestra Itália. Quanto a Romário, disse ontem que se o problema é esse, ele devolve a braçadeira. Mas que isso tem de ser uma decisão da Comissão Técnica do Vasco, não de Edmundo, que ele também não suporta.
Quando explicou suas razões para desertar, Edmundo carregou na dramaticidade.
É como se eu fosse um jornalista importante que, depois de ficar três dias parado por causa de uma doença, voltasse à empresa como office-boy. Edmundo reconheceu que o seu futuro depende da Diretoria. Jogador de futebol é um escravo, disse. Vou fazer o que eles mandarem.
Calçada afirmou que se o jogador não tiver vontade de ficar no time, vai negociá-lo. Ele só não pode querer autodenominar-se capitão porque esta decisão é da Diretoria e da Comissão Técnica. O presidente explicou que decidiu tornar Romário capitão porque Edmundo não vinha demonstrando interesse em ficar no Vasco.
Chegamos a liberá-lo para a Lazio, mas a negociação não se concretizou. Calçada vai esperar a chegada do vice-presidente Eurico Miranda, que está em Miami, para decidir o destino do atacante.
Desprestigiado
O supervisor de Futebol Isaías Tinoco comunicou a suspensão ao jogador na parte da tarde, quando o atacante foi até São Januário, onde ficou por cerca de 20 minutos.
Edmundo reafirmou que não volta a jogar pelo Vasco se não lhe devolverem a braçadeira de capitão. É óbvio que estou me sentindo desprestigiado, pois a braçadeira foi passada a um jogador que acaba de chegar.
Romário afirmou que não se recusaria a devolver ao companheiro a braçadeira de capitão motivo da confusão envolvendo Edmundo. Se a Comissão Técnica assim decidir, eu devolvo, pois a minha função é fazer gols. Romário garantiu que não teria problemas em voltar a atuar ao lado de Edmundo. Sou pago pelo clube para jogar futebol.
Sobre as declarações de Edmundo, que o chamou de falso, Romário negou estar surpreso. Vivo no futebol há muito tempo, nada mais me deixa triste, garantiu. O atacante fez questão de não envolver-se na confusão. O problema é da Diretoria, que tem de resolvê-lo. Ele não quis explicar se teria reagido da mesma forma, caso a situação fosse inversa. Cada um reage do seu jeito, esse sentimento que ele tem é triste.
Romário garantiu ainda que não tem nenhum tipo de problema com ninguém no clube. Chegou até a destacar a importância do jogador: Edmundo faz falta, mas evitou ao máximo se estender no assunto. Vim para o Vasco para fazer gols. Conquistei o meu espaço com méritos. Não tirei o lugar de ninguém, garantiu. Vivo no futebol há muitos anos. Vocês sabem muito bem, quem é quem. Graças a Deus, minha cabeça está bem diferente de outras épocas. Além de capitão, Romário também é o cobrador oficial de pênaltis.
Source Jornal da
Tardy/Baguette