

Source - Antonio Maria Filho e Ary Cunha - Enviados
especiais
Foto de Hipólito Pereira
FOZ
DE IGUAÇU, PR. O entendimento começou fora do campo. À
tarde, o encontro foi no gramado. Os dois Ronaldinhos fizeram ontem o primeiro
ensaio para formar a dupla de ataque da seleção brasileira
no sábado, no amistoso contra a Letônia, em Curitiba. E pelos
primeiros contatos, dentro e fora do gramado, a dupla promete entrosamento
e gols com a camisa da seleção.
O primeiro contato da dupla dentro de campo se deu depois de um susto para o Ronaldinho do Internazionale de Milão. Ele sentiu fortes dores ao subir para cabecear uma bola no treino de segunda-feira. Depois constatou-se que tivera um torcicolo, que o impediu de participar do treino da manhã de ontem. Foi medicado com injeção e antiinflamatório e teve rápida recuperação. Depois, Ronaldinho brincou com o técnico Wanderley:
- A bola que cabeceei e senti foi cruzada pelo Wanderley. Ele está fora de forma. Se fosse o Serginho não me machucaria...
O outro Ronaldinho, o do Grêmio, começou a sentir ontem o que o do Internazionale passou a perceber quando chegou para a Copa dos Estados Unidos como o mais jovem jogador da seleção. O assédio foi imenso, bem acima do que estava habituado quando integrou as seleções de base do Brasil. Aos 19 anos, um pouco espantado, ele procurou se mostrar à vontade. O técnico Wanderley Luxemburgo só tinha uma preocupação.
-- As coisas têm que acontecer naturalmente, para que ele não acabe se tornando um balão japonês. O potencial dele é imenso. Sem querer fazer comparações, alguns jogadores despontam cedo, mas poucos conseguem seguir adiante. A gente conta nos dedos: Pelé, Maradona, Ronaldinho. Agora, se começarmos a considerá-lo fenômeno, correrá um risco muito grande.
Mas quem será Ronaldinho daqui em diante?
- Para mim, o mais experiente já pode perder o inho e ser Ronaldo. O outro como está começando pode continuar como Ronaldinho. No momento de falar com um e com outro, Wanderley Luxemburgo sabe como distingui-los:
- O que a imprensa chama de Ronaldinho eu chamo de Ronaldo; o garoto chamo de meu filho.
O lateral Roberto Carlos prefere outra forma.
-- Se o do Inter eu chamo de feio, esse outro eu chamo de estragado.
Os dois Ronaldinhos se dizem despreocupados em relação à forma como serão chamados. Dizem que tanto faz. O do Grêmio deixa claro:
- Não estou preocupado com isso. Minha preocupação é com a bola.
Ronaldinho do Grêmio tem Ronaldinho do Inter como ídolo. E o drible em Dunga, na final do Campeonato Gaúcho, parecido com o que Romário deu em Amaral, no Torneio Rio-São Paulo, foi inspirado no ídolo. Mas seus dias de jogador do Grêmio estão contados.
-- O presidente do Grêmio me informou que na semana passada vários clubes do exterior já mostraram interesse em me comprar. Procuro nem me envolver. Quem responde por mim é o Assis, meu irmão, e minha mãe. Só quero pensar na seleção.
Já Carlos Germano e Dida travam um duelo à parte. Há uma semana da estréia na Copa América, disputam palmo a palmo a condição de titular. Dida disputou amistosos sob comando de Wanderley, mas enquanto se envolvia com problemas na transferência para o exterior, Carlos Germano defendia o Vasco em jogos importantes. O técnico gostou muito de Dida e ele deve ser o escolhido.
- Existe a possibilidade de cada um jogar um tempo contra a Letônia. Mas se a decisão do Wanderley sair antes, o titular jogará toda a partida - explica o preparador de goleiros Paulo César.
Numa forma de incentivar ainda mais a aplicação dos dois, Wanderley se esquiva.
- O importante é que a seleção conta com dois grandes goleiros - limita-se a dizer.
O apoiador Vampeta levou um susto com a notícia da tentativa frustrada
de seqüestro de sua mãe, na Bahia, mas não quis comentar
o fato.
Courtesy - Antonio Maria Filho e Ary
Cunha - Enviados especiais
Foto de Hipólito Pereira